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1 de novembro de 2017

Principais erros encontrados em playground – Parte 2: equipamentos de recreação

Requisitos normativos para garantia da segurança, acessibilidade e ergonomia de equipamentos de recreação.

Dando continuidade ao artigo “Principais erros encontrados em playground – Parte 1: áreas de lazer”, aqui serão apresentados os principais erros nos equipamentos de recreação, identificados durante atividades de inspeção predial e perícias.

Principais erros encontrados

1 – Proteção contra quedas

Para o acesso seguro aos equipamentos de recreação deve-se ter corrimãos para apoio, que segundo a ABNT NBR 16.071-2devem ter altura entre 60cm e 85cm, medida desde a superfície de suporte (degrau). Na Figura 1 abaixo apresenta um caso de acesso sem corrimão, em desconformidade com a norma.

 Figura 1: Equipamento de recreação sem corrimão na escada de acesso Fonte: acervo do Autor (2016)

Já na parte superior dos equipamentos deve existir algum tipo de proteção contra queda, que pode ser por barreia ou guarda-corpo. Os critérios estão descritos na Tabela 1 e Figura 2 trazidas da ABNT NBR 16.071-2. Em resumo, ela separa equipamentos de reação por faixa etária (maiores ou menores que 3 anos), após isso, dependendo da altura, ela indica se a proteção deve existir, se deve ser por guarda-corpo ou por barreira.

Tabela 1: Proteção contra queda (ABNT NBR 16071-2)

Figura 2: Proteção contra queda (ilustrativo da tabela 1). Fonte: ABNT (2012)

Atenção especial deve ser dada aos guarda-corpos, que devem ter barras ou travessas na vertical, nunca na horizontal, pois podem ser utilizados como degraus e permitir a escalada, ou incitar os usuários a subir ou colocar os pés. Na Figura 3 observa-se que o guarda-corpo possui barras apenas na vertical, em desconformidade com a ABNT NBR 16071-2.

Figura 3: Equipamento de recreação com guarda-corpo inadequado. Fonte: acervo do Autor (2016)

2 – Proteção contra aprisionamento do corpo

Segundo a ABNT NBR 16.071-2 Ao escolher os materiais, o fabricante deve considerar os perigos de aprisionamento que possam acontecer como consequência da deformação dos materiais durante seu uso”. A seguir será apresentado alguns casos de aprisionamento.

A Figura 4 ilustra uma situação de armadilha de aprisionamento de cabeça, segundo a ABNT NBR 16071-2 para equipamento de recreação voltados para crianças com faixa etária maior que 3 anos, o espaçamento indicado das barras verticais, para que a criança não prenda a cabeça, deve ser ≥ 23cm ou ≤ 12,7cm, já para os equipamentos para crianças com faixa etária menor que 3 anos os espaços devem ser ≤ 8,9cm.

Figura 4: Distanciamento de barras possibilitando aprisionamento de cabeça. Fonte: acervo do Autor (2016)

A Figura 5 ilustra uma situação de armadilha de aprisionamento de tronco, segundo a ABNT NBR 16071-2 para espaçamentos de barras na vertical deve ser menor do que 11cm.

Figura 5: Distanciamento de barras possibilitando aprisionamento de tronco. Fonte: acervo do Autor (2016)

A Figura 6 ilustra uma situação de armadilha de aprisionamento de perna ou tronco, segundo a ABNT NBR 16071-2 para espaçamentos de barras na vertical deve ser menor do que 11cm ou maior do que 23cm. Outra irregularidade, é que o equipamento foi concebido sem corrimãos ou barras de apoio para escalada / acesso.

Figura 6: Distanciamento de barras possibilitando aprisionamento de perna e tronco. Fonte: acervo do Autor (2016)

A Figura 7 ilustra uma situação de armadilha de aprisionamento de dedo em corrente, segundo a ABNT NBR 16071-2 as correntes “devem atender à ABNT NBR ISO 1834 e devem ter abertura máxima de 8,6 mm em qualquer direção, exceto onde haja junções, neste caso, a abertura máxima deve ser maior que 12 mm ou menor que 8,6 mm“.

Figura 7: Corrente possibilitando aprisionamento do dedo.  Fonte: acervo do Autor (2016)

A Figura 8 ilustra uma situação de armadilha de aprisionamento de dedo em orifício, segundo a ABNT NBR 16071-2 as correntes “O equipamento deve ser construído de forma que não sejam originadas situações de aberturas nas quais os dedos podem ficar presos enquanto o resto do corpo está em movimento ou continua seu movimento de forma involuntária, como, por exemplo, escorregando-se por um escorregador, balançando-se ou caindo”. Permitindo orifícios menores que 8mm ou maiores que 2,5cm.

Figura 8: Argola possibilitando aprisionamento do dedo. Fonte: acervo do Autor (2016)

Outro risco de aprisionamento de dedos é em tubos, conforme exemplo na Figura 9. Segundo a ABNT NBR 16071-2, os orifícios dos tubos devem ser fechados para evitar o aprisionamento de dedos.

Figura 9: Tubo possibilitando aprisionamento do dedo. Fonte: acervo do Autor (2016)

Em gangorras devem-se ter atenção ao aprisionamento do usuário entre o equipamento e o solo, conforme a Figura 10. Segundo a ABNT NBR 16071-5, deve-se deixar um espaço livre de 23cm e usar efeitos e amortecimento, conforme Figura 11.

Figura 10: Gangorra sem proteção contra aprisionamento. Fonte: acervo do Autor (2016)

Figura 11: Gangorra com proteção contra aprisionamento. Fonte: Lao Engenharia (2010-2016)

3 – Acabamento do equipamento

Os equipamentos não podem ter acabamento lacerável, não devem soltar farpas, rebarbas, lascas, ter rugosidade excessiva, partes cortantes, pontiagudas etc.

Na Figura 12 observa-se que os pregos e a ligação metálica do equipamento estão sobressalentes, gerando risco.

Figura 12a, 12b: Pregos sobressalentes na superfície do equipamento de recreação. Fonte: acervo do Autor (2016)

No caso da Figura 13, quando do uso de parafusos ou outros componentes sobressalentes, esses devem ser protegidos com algum material, ou ser boleado sem cantos vivos e até um limite de 8mm.

Figura 13a, 13b: Parafusos sobressalentes a esquerda; parafusos protegidos a direita. Fonte: acervo do Autor (2016)

No caso da Figura 14, observa-se rachadura no brinquedo de madeira, em desacordo com a ABNT NBR 16071-2, que diz: “As peças de madeira não podem apresentar rachaduras com aberturas maiores que 8 mm”.

Figura 14: Rachadura excessiva em equipamento de recreação.  Fonte: acervo do Autor (2016)

No caso da Figura 15, observa-se região propícia a acumulo de água, em desacordo com a ABNT NBR 16071-2, que exige que os equipamentos de recreação sejam projetados para que a água da chuva possa escorrer naturalmente, evitando acúmulo de água.

 Figura 15: Local susceptível a acúmulo de água. Fonte: acervo do Autor (2016)

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16071-2: Playgrounds – Parte 2: Requisitos de segurança. Rio de Janeiro, 2012.

______. NBR 16071-5: Playgrounds – Parte 5: Projeto da área de lazer. Rio de Janeiro, 2012.

______. NBR 16071-7: Playgrounds – Parte 7: Inspeção, manutenção e utilização. Rio de Janeiro, 2012.

______. Palestra Playgrounds – Partes 1 a 7. São Paulo, 2012.

 

Matéria publicada na edição de Nov/2017 do site da Revista Direcional Condomínios.

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