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14 de outubro de 2019

Fachadas autolimpantes

Através das propriedades da fotocatálise, podem ser diminuídos o teor de poluentes atmosféricos, sujidades superficiais e até mesmo das pichações nas fachadas das edificações.

1. Introdução

A característica de autolimpeza pode ser aplicada em diversos materiais, podendo ser eles elementos e componentes de uma edificação, ou de objetos móveis, como lâmpadas, carros etc. Esta autolimpeza é possível por meio de materiais fotocatalíticos. A fotocatálise nada mais é do que um fenômeno através do qual um composto, sofrendo o efeito da luz, acelera a velocidade de uma reação química sem ser consumido. Os materiais fotocatalíticos são semicondutores, sendo o mais usualmente empregado o TiO2 (dióxido de titânio), que é ativado pela luz, principalmente pela onda UV.

A fotocatálise faz a decomposição de alguns poluentes atmosféricos (SOx, NOx e VOC) deixando-os inertes, além de ter um comportamento hidrofílico, que “atrai” as gotículas de água, da chuva ou garoa, para a superfície, favorecendo a formação de um filme de água que, em superfícies verticais, escorre lavando-a (conforme a Figura 1 abaixo).

Figura 1 – Mecanismo da ação autolimpante e despoluidora de uma superfície com propriedades fotocatalíticas. Fonte: MARANHÃO et al. 2008

Essa aplicação foi inicialmente feita em materiais de superfícies lisas, mas hoje já envolve concretos e argamassas, tornando-os autolimpantes, principalmente em componentes externos da edificação, onde se tem exposição plena à radiação UV do Sol e incidência frequente de água pela precipitação. Há exemplos de uso de painéis com propriedades fotocatalíticas no Palácio da Polícia (em Bordeaux, na França) e na Igreja da Misericórdia (em Roma, Itália).

Já para áreas internas da edificação, existem limitações quanto à exposição ao raio UV, mas existem estudos para ativação do TiO2 pela luz visível, através da iluminação artificial, o que aumentar a aplicação deste material.

2. Benefícios

As fachadas das edificações apresentam alteração de cor e escurecimento ao longo de sua vida útil, exigindo limpezas frequentes, com grande impacto nos custos de manutenção. O benefício deste composto em fachadas está na diminuição da frequência de ações de manutenção, diminuição do teor de poluentes atmosféricos locais e ação antibacteriana. Há estudos (MARANHÃO et al. 2008) que indicam que até mesmos as pichações, dependendo do tipo de tinta e cor, são eliminadas pelo efeito da fotocatálise.

Um dos impeditivos do uso em larga escala no Brasil é o custo do TiO2, e a necessidade de um grande consumo deste material quando da adição direta nos elementos de concreto e argamassa de fachada, que tipicamente têm um grande volume de material, mas com uma pequena área exposta. Desta forma, há a necessidade de uso de grande quantidade de fotocatalíticos, para que apenas a superfície seja autolimpante. Porém, uma alternativa à adição direta do TiO2 nos concretos e argamassas de fachada seria a aplicação de uma argamassa fina de acabamento (conforme a Figura 2 abaixo) com este aditivo, ou até mesmo pinturas – com certas restrições, o que diminuiria seu consumo e teria os mesmos efeitos autolimpantes.

Figura 2 – Exemplo de solução de argamassa fina de revestim1ento de superfícies

3. Conclusão

A fotocatálise apresenta um grande potencial em contribuir com a diminuição das ações de manutenção das edificações, além de diminuir o teor de poluentes atmosféricos da região, o que corrobora com a tendência de ações sustentáveis na cadeia da construção. Um estudo específico e atento em cada condomínio, avaliando o valor do investimento e tempo de retorno, pensando na redução de custos de manutenção de fachada, poderia viabilizar sua aplicação em edificações existentes.

Referências

MARANHÃO, F.; KAI, L.; JOHN, W. O uso da fotocatálise em materiais autolimpantes. São Paulo: Revista PINI, 2008.

BERNARDES, Maurício. Materiais inovadores a serviço da autolimpeza e da despoluição das cidades. São Paulo: Blog PINI, 2016.

PARAMÉS, J.; BRITO, J. Materiais de construção nanotecnológicos de autolimpeza. In: Teoria e prática da engenharia civil, n. 15, p. 55-62, 2010.

 

Matéria publicada em Out/19 no site da Direcional Condomínios.

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